Isso tudo para, ainda, falar de amor

Me flagrei depressiva e em posição fetal. Meu pai, o diagnosticado com depressão, assumiu minha posição de cuidadora: “Amanda, se tu não se alimentar, tu não vai se sustentar”. Minha pressão baixa fácil, mas até que nesse dia ela se aguentou. Só tive dores de cabeça mesmo e o entrave na garganta. Uma vontade sutil de dormir e não mais acordar, mas nada demais. O que doía mesmo era a sede de emoções.

Estamos vivendo aqui intimamente com o que autentica nossa natureza de humanos: Ansiamos esse sentimento de pertencimento, atenção e importância. O que torna nossos passos – seja lá qual for – é justamente esse anseio. Outro dia li que a ideia de ser admirado e ser importante é a mesma em todos nós, seja o que exerce um trabalho voluntário, seja o que vai roubar.

No meu caso, tratava-se de uma ferida pequena que eu pensava não ter mais relevância, só que arranquei a casquinha e percebi que ela continuava uma feridinha. E o porquê de tamanha vulnerabilidade é a amostra de que somos iguaizinhos. Que, por mais que aparentemos felicidade  e leveza, temos dores, dissabores e temores. Que pautamos diariamente para nós mesmos em quem depositamos nossa fé, mas, tem dias que realmente é preciso doer. E, vai soar estranho aí, mas é bonito doer, até. É necessário.

Minha amostra desse drama é só pra dizer que não é só drama com esse som de melindre. Fiz uma baita análise interna, como constantemente me afasto do mundo para me conhecer mais, e concluir que sou muito humana mesmo, graças a Deus! Para agradecê-Lo pelo sentir, para entender que meu próximo, embora com aflições diferentes, também é sentimento, e meus relacionamentos sejam mais cautelosos.

Minha exposição é também para fazer um pedido sincero e “bobo”: Não permita que seu raio (a turma de seu convívio) se sinta desimportante. É uma fala tão simples, mas que é falha nos detalhes. Bens, entenda: bens duram e valem bem menos que vidas, serviços têm sons estrondosos, amor tem linguagem para todos os gostos. Aja horizontalmente como se agisse pelo amor de sua vida. No final é isso mesmo, se você entende do Amor que me refiro. Que Deus nos dê graça para falarmos dEle em cada gesto.

Aaaaaaaah!
Sobre a dor que narrei, né? No dia seguinte acordei com vontade de fazer as coisas simples que sempre fiz. Priorizei bobeiras e considerei aceitar convites. #UmDiaDeCadaVez. Em breve: as experiências.

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