“Ela” do Tim

É provável que eu tenha demorado para descobrir Tim Bernardes. Porque já vi conhecidos no fandon e pensei que fui uma das últimas a gamar (risos). Mas o fato é que ouvi ontem e me apaixonei.

“Ela”, descreve o cotidiano de uma moça cuja percepção não é instigada pelos seus. E ainda assim, “Ela” demonstra tanta força, tanta maturidade. Tantos mistérios, até. Ela é vaidosa, embora camuflada na rotina dos que visualizam só a si mesmos.

No final das contas é isso. Minha viagem se dá na compreensão de uma moça forte, contudo sensível, e que, pelo desenrolar da letra, transparece apatia com relação a tudo.

Mas o cerne da música se dá porque é narrada por Alguém que entende, vê, ouve e sente. O centro da música tem um eu-lírico parecido com Quem eu tenho me empenhado em conhecer. Alguém igualmente sensível. Sensível, para saber o que passou, sensível para notar no que ela se transformou e benevolente o suficiente para para dizê-la.

Ela tem mais do que o que quer dizer, imagino. “Ela” é linda!

Quando acorda olha para o lado
Se veste bonita pra ninguém
Chora escondida no banheiro
Pras amigas finge que está bem
Mas eu vejo
Eu vejo

Acha que precisa ser durona
Não dá espaço para a dor passar
Tem um grito preso na garganta
Que não está deixando ela falar
Mas eu ouço
Eu ouço

Quase como que anestesiada
Vai deixando a vida carregar
Ela sentiu mais do que aguentava
Não quer sentir nada nunca mais
Mas eu sinto
Eu sinto

Qualquer um que encontra ela na rua
Vê que alguma coisa se apagou
Ela está ficando diferente
Acho que ninguém a avisou
E eu digo
Eu digo