A “partezinha” da ansiedade que a gente não vê claramente

Que falo de ansiedade há um tempinho, todos sabemos. Também sabemos daquela conotação de “falta de confiança”, de nos colocarmos numa posição bem passiva diante desse probleminha corriqueiro a cada surpresinha do trajeto aparente.

O que não tinha atentado até o último sábado, sentada na praia conversando com umas amigas*, é que ela pode nos dar um choque maior ao nos fazer perceber sua perspectiva um pouco mais cruel.

A ansiedade surge quando em grande parte das vezes pomos o nosso ego em um plano que não o compete. 

Exemplifico como isso me impactou ao perceber que falo muito em mortificar meu eu, mas por vezes me via inquieta diante de situações que atuaria e me inflaria facilmente caso desse tudo certo. A ansiedade por vezes surgia nas minhas pré-provas, apresentações e em tantas situações que poria as mãos na massa.

O que eu não atentava é que eu não sirvo ao mundo, a plateia, ou quem quer que seja. Mas sirvo a Quem, pasmem, conhece meu coração e minhas intenções mais do que eu mesma posso conhecer. Aquele que sabe o que vai acontecer na minha atuação. Então, genuinamente, as ânsias surgiam pela vontade grande de superar expectativas ou até surpreender alguém como eu,  não “porque dele por ele e para ele”!

No meu discurso de massacrar o ego, fico bem reflexiva e faço desafios que doem. Atentar para o problema da ansiedade com menos passividade e coitadismo, e descobrir que no âmago ela pode ter essa conotação de servir a mim mesma, foi confrontador.

Deixo claro que tem n’s situações onde a crise surge e talvez não seja esse ângulo o evidente. Mas grande parte dela tem como fim o orgulho e cabe a nós analisar direitinho. Com a certeza de que “comendo ou bebendo” é para glorificar a Deus, que já sabe o que está diante de nós, não há motivo algum para preocupação. Tudo fluirá e eu estou encucando isso na minha caixolinha agora!

*Devo aqui agradecer as queridas Abigail Tavares de Juazeiro do Norte e Bárbara Tavares do Rio Grande do Norte. Foi com elas que aprendi esse tantão de coisa como um verdadeiro presente!

O presente em forma de leitura: 1Co 2.

Toda vez, ao começar a escrever, faço uma junção de dados que acabam chegando até mim, e no fim penso em “como organizar isso, meu Deus!“. Sim porque absorver é muito bom, mas fazer fluir daí, é outra história. Imagine eu pegando retalhos de todo canto e querer falar “tá pensando no que eu tô pensando?“. Outro dia me disseram que às vezes meu texto sai difícil. Fiquei meio sem jeito, confesso, porque não considero difícil e me desafio a deixá-lo compreensível e fluente. Me desafio a conversar. Não foi uma nem duas pessoas que comentaram sobre. Diante disso, apesar dos elogios, penso que devo pedir desculpas caso use de uma “pseudo eloquência” que dificulte a leitura. A ideia é conversar “normalzin“, de modo que minha voz fique audível por aí. A real é que sou fluente no cearês, com muito orgulho.

Mas não era necessariamente sobre isso que vinha falar,o caso seria a exposição do Texto da Prisca no blog “Teologia Para Mulheres”, mais que andei estudando, mais meu xodó por vocábulos no geral.

Final do ano passado, me interroguei, como de costume, sobre as coisas relevantes realizadas ao longo do ano e concluí mais uma vez que não há nada mais importante nas nossas resoluções do que visar a eternidade. Trabalhar pelo reino, bem como me alimentar e nutrir nesse âmbito. Resoluções que vejo como “comuns”, tais como trabalho, estudos, relacionamentos, enfim, tudo que vejo como parte de um protocolo social a se cumprir, minimizo diante da maior e melhor incumbência dada. Então, o negócio funciona como a mesma absorção de dados, dados esses nutritivos, e a multiplicação deles pelo meu raio, muito embora meu raio seja virtual. Da conclusão feita pela minha retrospectiva interior, fiquei satisfeita, e espero ter alegrado Meu Amado – pois é, sou gamada mesmo.

O fato é que por vezes, quando chego na parte do repasse, incluo as tais palavras difíceis comentadas por amigos, e fico “puxa vida, acho que embolei”. Autocrítica e eu somos muito unidas. Contudo, pautei em oração minha ânsia de ensinar o que aprendo de modo objetivo e simples e na mesma noite da referida oração fui estudar o “Catecismo Maior de Wesminster”. E eu me lembro de ter falado exatamente “Sabedoria do Alto” na oração, por motivos de estar mais ativa no blog e usá-lo com o fim da reprodução.

Não era minha intenção procurar textos com o mesmo vocábulo. Só queria expor ao Senhor minha ânsia e seguir os estudos naquela noite. Acontece que a 4ª pergunta do referido objeto de estudo vinha acompanhada de I Coríntios 2:6,7 e aquilo era o que eu precisava. Ele falava em “Sabedoria de Deus” e já não me satisfazia com os versículos propostos. Fui ler o capítulo todo. E ele começava exatamente assim:

E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria.
Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.
E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder;
para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada;
mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória;
1 Coríntios 2:1-7

Já podia encerrar por aqui. E mostrar que o evangelho puro e simples é o necessário em meio às minhas ideias demasiadas. Mas fui ler o texto da Prisca, que consistia em gerações, e o mesmo contexto; Que pautava o que temos em mãos e o que devemos fazer; Que comentava sim, a perfeita palavra revelada e essencial. E aqui, deixo o link para quem quiser de deleitar como eu: Com I Coríntios 2 e o texto da Prisca que só veio agregar – https://teologiaparamulheres.wordpress.com/2018/01/11/o-evangelho-de-todas-as-eras/

Cheiro e até mais!

Consegui fazer um link de “Todo se transforma” do Jorge Drexler, dumas ideias da Nilce Moretto, Lavoisier e duns ventos por aqui pelo leste cearense – risos.

Foi interessante como fiz a análise de que tudo vai se transformando, e na letra do Jorge, ele mostra uma sequência da água, suor e lá vai, na ideia da Nilce, foi uma afirmação muito noiada das moléculas, do Lavoisier é aquela máxima que a gente aprende no ensino regular.

O mais louco é que em todo esse processo de transformação, vemos claramente um mundo cíclico, e particularmente, não atribuo a nada, senão o efeito boomerang graciosamente dado pelo Senhor. É uma respiração profunda e sensação que, embora não mereça, às vezes acontece umas coisas cuja justiça é evidente.

Vivo dizendo que “nossa ideia de justiça se difere demais da divina”, mas quando ela parece se efetivar aos nosso olhos, é inevitável a vontade de se ajoelhar e orar com os olhos marejados e o sorriso rasgado.

Os ventos por aqui trouxeram chuva e ideia de limpeza. E não sei vocês, mas depois que chove, fica mais evidente a nitidez das coisas, a vivacidade do que me cerca, o verde que passava batido até outro dia.

A chuva que é cíclica, tudo se transformando, o verde presenteado, o meio falando. A música do Jorge, a ideia das moléculas da Nilce, a fidelidade e o amor imerecido em forma de água do alto… Os ventos que vieram. Tudo transformado.

A paz proveniente dessa percepção.
A dádiva.
A vida.

Cartão fidelidade próprio

Já tenho um cartão fidelidade com o sofrimento.

Brincadeiras à parte, só queria dizer o quanto considero importante a presença das fases ruins na minha vida. Via de regra, eu pressinto quando algo iminente vem me machucar. Talvez a ansiedade me faça alertar o modo “atenção”, e eu considere tanto antes de acontecer, que quando acontece, já venho munida.

Mas a munição não é algo que me faça encarar tudo com uma leveza maior. Eu exponho em oração, e sei que muitas vezes é preciso me desmontar totalmente.

Do processo de desconstrução, me vejo muito pequena e a pequenez me lembra da minha vulnerabilidade, fragilidade e dependência.

Por isso gosto tanto quando pressinto sofrimento. Seja por coisas majoritariamente consideráveis, seja por coisas pequenas, que pra mim nunca são. O sentimento é peculiar. O sofrimento me lembra quem sou, quando penso ter asas ou know-how apurado no auge dos meus vinte e quatro anos. Quando penso que posso dar passos grandes e quero pular pormenores. Quando intimamente me vejo altiva diante dos obstáculos. Quando penso que posso algo pelas minhas próprias forças.

O sofrimento no meu cartão fidelidade me poda com uma certa constância. Por isso diante dos perigos à porta, agradeço. Tudo me lembra que nada sou sem meu Jardineiro – e como costumo dizer: Ele é o Alvo.

Recomeçando

Vivo num impasse entre expor lições aprendidas versus saber que estou me expondo no embalo. É que escrever em primeira pessoa é exercício desde a Amanda dos 8 ou 9 anos e atualmente flui sem muito esforço.

O que pega na exposição é que, ao contrário do que pensara, as lições aprendidas não alcançavam só amigos, mas pessoas desconhecidas, e o feedback, por mais lindo que fosse, me dava um choque de realidade. “Que doido fulano ter tal percepção com base nos escritos!”. E despir a alma em palavras escritas, embora prazeroso, exige uma maturidade que as vezes cambaleio na certeza de ter ou não.

Devo confessar que o último que recebi me deixou de sorriso rasgado por uma semana.

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Nesse cambalear de maturidade, acaba que sempre pendo pros recomeços, porque de algumas certezas que rondam a minha cuca é que, feliz ou infelizmente, somos mutáveis; e lendo algumas coisas antigas vi que não correspondiam mais aos meus sentimentos atuais. Algumas ênfases dadas há um ano não são as mesmas.

Não tem muito e já percebo que a própria Casinha, tão ansiada e celebrada, não é algo que me faça os olhos brilharem. Não como antes. Talvez pela percepção, carcaça e decisão de não inclinar meu coração para coisas perecíveis. E isso inclui meu celular que quebrou, a máquina de lavar roupas e algumas coisinhas mais que estavam no efeito-dominó-de-quebras e eu nem suspeitava.

Desde os 24 completos e umas avaliações para onde estava caminhando meu ego, que optei por massacrá-lo de n’s formas, graças a uma sequência de frases de efeito que cumpriram seu papel. O pontapé foi reconhecer a necessidade de receber “parabéns” sei-lá-porquê no 14 de abril e seguir destruindo todos os mimimis que vinham com uma justificativa enorme e necessidade de aceitação.

Com a avaliação da vaidade em tudo, aprendi até a dizer nãos, muito embora o meu raio não tenha exercitado os ouvidos para aceitá-los. Os 24 completos trouxe a ideia de “em poucos dias terei 1/4 de século e preciso ser adulta”, mas a adulta sem deixar minhas criancices particulares e muito menos o encanto com as coisas, até perecíveis, mas que apontam diretamente para Eternidade.

Eu vejo Deus em tudo e mergulhar num curso que aborde a linguagem, que enfatize a comunicação, faz meu coração medroso e ansioso palpitar. A possibilidade de repassar minhas percepções, mesmo sabendo que elas falarão indiretamente de mim para desconhecidos, mesmo com a incerteza de maturidade concreta, ainda me faz pensar nos recomeços e… é fluente.

Nem que seja pra avaliar e ver que, feliz ou infelizmente, as mudanças vieram. E graciosamente, tais palavrinhas fluíram como presente.