Nóias de valor

Deve ser um balde de água fria, notar que os valores tão superestimados por uns, podem não ser do outro. Daquele outro que você tanto admira, sabe? Para tratar de nossa complexidade, um carinha que mora logo ali definiu “valores e parâmetros” para nos conhecermos melhor. E creio que para nos relacionarmos melhor.

Devo confessar, já que aqui trata-se de um confessionário parcialmente particular, que os meus são um tanto diferentões. Não é a toa que gosto de entender mais sobre minimalismo, não é aleatoriamente que reflito sobre comportamento. Abordo essas “coisinhas” aqui, porque os conceitos advém de um valor muito maior.

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Exemplo: Desde cedo somos condicionados a estudar. Mas a motivação tá pouco relacionada com o “eu no mundo”. Tem mais de aquisição de fórmulas e metas cumpridas para um fim em uma universidade e bom emprego. Falo isso porque era isso que me diziam no meu ensino médio. Aliás, nem falavam em bom emprego. Falavam na universidade e fim. Mas confesso que sempre achei tudo muito vago. Na época a psicologia era meu alvo por uma questão de missão mesmo. Servir importava mais.

É aquela história dos três estágios da motivação: uma é a falta de opção, outra é a condição “toma lá – dá cá” e, por fim, o propósito. A gente criança faz porque tem que fazer. Ai a gente vai crescendo e faz porque tem a condição (monetária na maioria das vezes). Depois de um tempo, os que crescem um tiquinho mais passam a pensar no propósito. Se esse senso de propósito não chega, a turma segue bailando na superfície.

Falei das motivações, porque elas norteiam cada passo, entende? No meu caso, o valor está todo consistente em Cristo: Pedra Angular. Todo meu parâmetro é descrito num cânone perfeito e o que a turma do baile da superfície pensa é que a gente se contenta com todos os valores impostos pelo mundo!

Eu passei a pensar nisso há uns três anos em média, quando era tremendamente triste com tudo que eu via concernente a busca pelo vento, pela glória e pela promoção que não leva a lugar algum! Sim! Falo de anseios até bons, mas que genuinamente tem valores completamente rasos e finitos, entende?

Então passei a me considerar o balde de água fria. Meus valores foram destoados dos da maioria que mergulham em ações convenientes e bonitas, mas sem o fim na Glória devida; Em “conquistas” e serviços nobres, mas sem o Alvo eterno; Em idas e vindas à igreja, mas com a vaidade embutida em cada ato. Com o pensamento que “posso isso e aquilo, porque sou isso ou aquilo”.

Costumo brincar dizendo que com um dia de fome você percebe que não é nada. Não preciso de um dia de fome porque umas horas já me mostram claramente isso. E mencionei essa história de valor, parâmetro e eternidade para clarear toda a ideia de dependência, de vulnerabilidade e de Glória correta.

No final, o balde de água fria no abismo de valores motivações é o banho que falta para um mergulho mais fundo: Na curiosidade pela verdade revelada que norteia e alegra essa caminhada que requer tanta fé e oposição ao que tentam nos instigar a fazer. Ah! Num me encanto por qualquer coisa não.

As entrelinhas do acamp: mansidão

– E ai, Amandinha, como foi o retiro?
– Foi bom… Assim: noutros tempos, pela minha empolgação, eu diria que foi incrível, e foi! Só que ando um pouco tranquila, então reagi a tudo quietamente. Talvez eu esteja ficando gente grande.

(risos)

De fato, meu tempo no acampamento foi tão precioso! Aprender mais da Verdade é de uma alegria imensa! Talvez eu só não esteja esboçando com tanta euforia como noutros tempos. Só queria dizer que estou lidando melhor com minhas emoções e acredito que seja resposta de oração. O tal do equilíbrio sempre foi tão ansiado, sabe?

Eu fui com ajuda de pessoas enviadas por Deus para que o trajeto todo desse certo, meu quarto era quietinho, dorminhoco e contente. Pude conhecer mais de pertinho quem não tinha tanto contato. Essa é a graça da gente não se ater a um grupo específico. Outras percepções, conversas e partilhas são sempre bem-vindas. O novo assusta, mas enriquece.

O espaço como um todo é de uma beleza e preparo singular, os lanchOs (risos), as conversas, a leveza, as brincadeiras. O CENTRO! Os cultos, a recepção das palavras ali proferidas, as palavras por mim proferidas, as palavras que só escorreram pelos olhos. O coração.

Via de regra, minhas andanças não tem tanto registro como parece. Acontece que em casa, minha rotina permite uma interação maior virtual, minha solidão, talvez. Mas nos locais como acampamento, prezo pelo momento. É tanto que só pensei em registrar no último dia. fiz o que pude. Saí sem falar com todo mundo, como previa. Mas ainda permaneci tranquila.

O que queria pautar também era o fato de ter registrado e esquecido minha caderneta na casa de mãinha, daí não tenho como partilhar agora as coisas absorvidas e seladas sistematicamente, eu diria. Mas algo que voltei pensando muito, foi sobre a tal da referida mansidão que esteve comigo, e já pensei e situações do meu cotidiano.

Nos últimos dias eu estive um tanto “armada”. O último post aponta claramente para minhas respostas automáticas. Mas ser manso é de uma confiança tremenda! Aprendi que não trata-se só de algo referente a personalidade, mas do uso da razão ao confiar plenamente naquele que está no controle de todas as situações. Principalmente, naquelas que penso ser agente imponente para autodefesa. Nessas que quero responder à altura e matutar no tanto que podem estar me fazendo de besta, sem ter paz e sem vivenciar, porque sequer aconteceu o fato. Voltei disposta a não somente ser um instrumento usado e vulnerável virtualmente, expondo minhas inúmeras fraquezas para interagir.

Mas disposta a ser um instrumento vulnerável em muitas situações que pensei em me impor, contudo, sem necessidade. Talvez agora a pauta da oração seja ainda do tal do equilíbrio, não só das emoções esboçadas, mas da sabedoria no cambalear entre o falar e o calar e deixar que Meu Amado, com tamanho cuidado, responda e resplandeça por e em mim.

Essas foram as entrelinhas,
volto logo,
cheiro e
fica na paz 🙂

A gente rotula fácil, né?

O treco do rótulo é algo que a gente bate na tecla negativamente e insiste em fazê-lo. Afinal, há quem afirme que pimenta nos olhos alheios é refresco. A gente passa uma vida nuns questionamentos, leituras e autoconhecimento, para vir alguém e “bum”! Tu é assim, ou assado.

E é fluente.
Não é minha intenção ser “a vítima”, porque a naturalidade é tamanha, que faço também em pensamento. Atribuo a “vaidade de vaidade”, visto que rotular outrem é afirmação a mim.

Exemplo simples e próprio: As percepções que alguns têm sobre mim é que eu entendo de fotografia, café, sou amável, sorridente e sociável grande parte do meu tempo. Rótulo. Quando a realidade é que minha relação com fotografia é unicamente artística, com o café é dependência, e passo grande parte do meu dia séria e calada. Meu serviço exige isso, visto que preciso me concentrar. Embora eu seja essa imagem daí, eu não sou só essa imagem daí. Captou?

Há pouco me chamaram de “sabiiiiiiida”. E sabida soa ofensivo. Pessoa sabida, pra mim, é quem age intencionalmente visando benefício próprio. Pessoa com um treco muito ruim no caráter, enfim, soa pejorativamente “decunforça”. Agora entenda a situação:

Via de regra, como mencionei, fico concentrada no que me proponho a fazer. Tal concentração não me deixa escutar alguém me chamando de imediato. Faço a linha mindfulness e se acaba sem eu dar conta. Para o negócio ficar pior, ponho fones nos ouvidos e fico inteiramente logada com meus feitos. Inclusive, acho que ouvir música e trabalhar manualmente é uma das poucas coisas que faço ao mesmo tempo.

No fato de hoje, uma determinada pessoa passou e conversou com outra de modo que me inteirei do assunto e questionei. Foi impulsivo. Ouvi, porque foi demasiadamente audível, e questionei.

O “sabida” veio tão naturalmente. Confirmei, porque abraço uma teoria da concórdia. Sou sabida? Do jeito que chega até mim, não sou. Ser ciente disso é o bastante.

Aqui, registro unicamente o fato de nos inclinarmos tão facilmente para embalar outrem. Considero que as situações de escuta e não-escuta sejam genuinamente lincadas com minha predisposição e não sabidança, como rotulam.

Enfim. Na próxima, se der vontade, eu explico para os rotuladores de plantão. Por hora fica a nóia registrada por aqui, como um desabafo, ou mais um ato de sabidança meu.

 

“Ela” do Tim

É provável que eu tenha demorado para descobrir Tim Bernardes. Porque já vi conhecidos no fandon e pensei que fui uma das últimas a gamar (risos). Mas o fato é que ouvi ontem e me apaixonei.

“Ela”, descreve o cotidiano de uma moça cuja percepção não é instigada pelos seus. E ainda assim, “Ela” demonstra tanta força, tanta maturidade. Tantos mistérios, até. Ela é vaidosa, embora camuflada na rotina dos que visualizam só a si mesmos.

No final das contas é isso. Minha viagem se dá na compreensão de uma moça forte, contudo sensível, e que, pelo desenrolar da letra, transparece apatia com relação a tudo.

Mas o cerne da música se dá porque é narrada por Alguém que entende, vê, ouve e sente. O centro da música tem um eu-lírico parecido com Quem eu tenho me empenhado em conhecer. Alguém igualmente sensível. Sensível, para saber o que passou, sensível para notar no que ela se transformou e benevolente o suficiente para para dizê-la.

Ela tem mais do que o que quer dizer, imagino. “Ela” é linda!

Quando acorda olha para o lado
Se veste bonita pra ninguém
Chora escondida no banheiro
Pras amigas finge que está bem
Mas eu vejo
Eu vejo

Acha que precisa ser durona
Não dá espaço para a dor passar
Tem um grito preso na garganta
Que não está deixando ela falar
Mas eu ouço
Eu ouço

Quase como que anestesiada
Vai deixando a vida carregar
Ela sentiu mais do que aguentava
Não quer sentir nada nunca mais
Mas eu sinto
Eu sinto

Qualquer um que encontra ela na rua
Vê que alguma coisa se apagou
Ela está ficando diferente
Acho que ninguém a avisou
E eu digo
Eu digo

Aquela idolatria sutil

Nessas minhas introspecções sempre caio na idolatria.

Incrível como a gente cresce com um conceito atido, limitado e pobre sobre tal, sendo que somos idólatras naturais. Nossos olhos se fitam facilmente na harmonia do que nos cerca e nossa atenção é imediata diante de uma boa retórica.

Nossa afeição se volta para criaturas com constância, mesmo que a ideia inicial seja enaltecer o Criador. É rápido, e a fronteira que separa gosto inicial do gosto natural é  tênue. Quando vimos, já estamos entusiasmados, não com o que Deus faz através dos homens, mas unicamente nos homens.

Isso me dói.

Eu brinco muito com a ideia dos temperamentos do Hipócrates e o temperamento que mais me encanta é o fleumático. É instantâneo eu reconhecer o que considero fleumático e admirar. Tenho uma vontade anormal de ser amiga deles e aprender com eles, pela ideia de equilíbrio que formei de suas personalidades. Consumam ser meus sensatos de estimação. Quando cristãos, pronto, o afeto flui. – Queria deixar bem clarinho também que embora muitos desconsiderem, utilizo os conceitos para fins particulares.

Então meu coração idealiza e fita nas qualidades dos fleumáticos de modo que se tornam criaturas num patamar privilegiado. Quando dou por mim, passei da fronteira mencionada. É natural demais. É rápido demais. E é esquisito e confrontador quando a gente percebe.

O que acontece via de regra, e que utilizei do meu gosto para exemplificar, é que essa mesma admiração por pessoas que consideramos “exemplos” às vezes toma uma proporção estranha.

Quer mais clareza? Nossos líderes espirituais. Não conto as vezes que idealizei pastores, seja “anônimo”, seja “famoso”, e que quando dei por mim tava inclusa num verdadeiro fandom gospel. Isso até conviver mais de pertinho com um e sentir cair todo um conceito surreal criado sobre eles. Começava devagarzinho.

Outro dia, num encontro de jovens, vi um rapaz relatando seu amor pela Bíblia e seu reconhecimento de idolatria pela Bíblia em si, pela quantidade de coisas aprendidas. E que embora ela fale do meu Deus, ainda não é o próprio. Achei tão bonito e honesto ele ter partilhado isso.

Igualmente as demais literaturas, o nosso amor pelo aprendizado e aquisição de conteúdo. Igualmente o aprendizado em si, sem o fim na conclusão de dependência e humilhação; sem a sincera devoção e adoração Ao Único.

Que possamos rever e ponderar o que julgamos ser amor. Não incentivo aqui a indiferença por pessoas que nos auxiliam biblicamente, mas a análise de até onde vai essa fronteira de “admiração saudável” e “paixão” por tudo aquilo que nos desvia do foco genuíno. Às vezes pareço ser radical e fanática. E ainda não gostando do “radical”, o “fanática”, mesmo soando pejorativamente, é algo que não me envergonho, desde que seja pelo Deus Verdadeiro.

Valho nada

Devo confessar que temas sobre graça&lei&santificação estejam rondando ultimamente minha cabeça, e devo confessar também que idolatria sempre teve no meu rol de leituras, mesmo que despretenciosamente.

O fato é que consigo enxergar facilmente minha inclinação torpe, minha decadência, meu coração numa insistente autoanálise, que meus amigos já conhecem bem.  Ontem mesmo estava pensando a respeito, sondando minhas reações e chateações.

Mas ainda sobre idolatria, admito que é um dos meus maiores receios. Porque até as chateações, reações e até ações têm lá o âmago egocêntrico. De tudo o que fizermos, de todas as nossas afeições, é válido o questionamento. Digo que sou “entusiasta de significação”, justamente porque mergulho nos “porquês”. Nos enxerguemos, sejamos sinceros, somos feios interiormente, o que me deixa maravilhada com a graça.

Por hora, fico com o pensamento atido aqui. Vai que motivo a ti  se analisar também…
Depois volto com a continuação.

 

Casinha para viver

Tive inúmeros motivos para me mudar, e sinceramente, acompanhar de perto a rotina do meu pai era algo que queria presenciar. Fatos como o de hoje que comentei “pai, manera no açúcar, por favor!”¹, na hora do café, me fazem ver que foi uma decisão bem boa. Muitas conversas, percepções e comentários só seriam possíveis graças ao convívio.

Costumo dizer que é semi sozinha pela responsabilidade de gerir. Agora não mais um quarto e um banheiro, cujos materiais de limpeza estariam ao alcance da mão, mas, uma casinha inteira e materiais de limpeza caros que agora precisariam, pasmem, de uma renda bem legal para adquiri-los.

Tem pouco mais de um ano que me mudei e os aprendizados foram muitos.

Primeiro porque as casinhas dos blogs e Pintrest são caras. Tanto para montá-las, quanto mantê-las! Esses dias conversando com meus primos só focava na rotatividade monetária que nos deixa com o saldo levemente balançado todo mês para: manter os tais bens. Eu digo que a partir do momento que ele se torna seu, você já está perdendo dinheiro. Se é terreno, há cuidado, se é imóvel, mais ainda, se é carro, nem se fala! Então, pessoas atidas ao dinheiro, não tenham bens, mesmo com a ideia de se valorizar posteriormente, estou falando de presente e no presente você está perdendo dinheiro. Não tenham bens, juntem dinheiro, e se esqueçam de viver, se possível.

E aqui chega o ponto que eu queria mencionar. Tem coisas que requerem, lógico, o meu saldo levemente balançado para viver; viver para mim é ter experiências, aprendizados, sensações. Tem muito do me sentir viva e, claro, partilhar! Não expondo unicamente, mas permitindo viverem tal qual. Às vezes vivo como agente, quando partilho, às vezes só abraço as oportunidades, quando sou contemplada. Dai, casinha, e o que quer que seja, não tem o fim dela mesma, mas da partilha, do “refletir a graça de Deus nos meus relacionamentos”.

O que é meu NÃO TEM SENTIDO ALGUM se for só meu. Me poupem de impérios e concretos sem vida, sem unidade, sem comunhão, sem amor. Ter casa para me isolar pensando estar livre é pura prisão. Então, meus amigos, prefiro perder dinheiro livremente aprendendo o que é amar, suspirando pelo lar, enxergando claramente o cuidar de Quem incondicionalmente me ampara, provê e me ensina a viver.

 

¹ Quem me conhece saber o quanto gosto de doce. Meu café virava mel, até eu rever muitos conceitos e entender o que é cautela. Dai o cuidado igual com painho. Pelo menos pra chamar atenção.