Aquela idolatria sutil

Nessas minhas introspecções sempre caio na idolatria.

Incrível como a gente cresce com um conceito atido, limitado e pobre sobre tal, sendo que somos idólatras naturais. Nossos olhos se fitam facilmente na harmonia do que nos cerca e nossa atenção é imediata diante de uma boa retórica.

Nossa afeição se volta para criaturas com constância, mesmo que a ideia inicial seja enaltecer o Criador. É rápido, e a fronteira que separa gosto inicial do gosto natural é  tênue. Quando vimos, já estamos entusiasmados, não com o que Deus faz através dos homens, mas unicamente nos homens.

Isso me dói.

Eu brinco muito com a ideia dos temperamentos do Hipócrates e o temperamento que mais me encanta é o fleumático. É instantâneo eu reconhecer o que considero fleumático e admirar. Tenho uma vontade anormal de ser amiga deles e aprender com eles, pela ideia de equilíbrio que formei de suas personalidades. Consumam ser meus sensatos de estimação. Quando cristãos, pronto, o afeto flui. – Queria deixar bem clarinho também que embora muitos desconsiderem, utilizo os conceitos para fins particulares.

Então meu coração idealiza e fita nas qualidades dos fleumáticos de modo que se tornam criaturas num patamar privilegiado. Quando dou por mim, passei da fronteira mencionada. É natural demais. É rápido demais. E é esquisito e confrontador quando a gente percebe.

O que acontece via de regra, e que utilizei do meu gosto para exemplificar, é que essa mesma admiração por pessoas que consideramos “exemplos” às vezes toma uma proporção estranha.

Quer mais clareza? Nossos líderes espirituais. Não conto as vezes que idealizei pastores, seja “anônimo”, seja “famoso”, e que quando dei por mim tava inclusa num verdadeiro fandom gospel. Isso até conviver mais de pertinho com um e sentir cair todo um conceito surreal criado sobre eles. Começava devagarzinho.

Outro dia, num encontro de jovens, vi um rapaz relatando seu amor pela Bíblia e seu reconhecimento de idolatria pela Bíblia em si, pela quantidade de coisas aprendidas. E que embora ela fale do meu Deus, ainda não é o próprio. Achei tão bonito e honesto ele ter partilhado isso.

Igualmente as demais literaturas, o nosso amor pelo aprendizado e aquisição de conteúdo. Igualmente o aprendizado em si, sem o fim na conclusão de dependência e humilhação; sem a sincera devoção e adoração Ao Único.

Que possamos rever e ponderar o que julgamos ser amor. Não incentivo aqui a indiferença por pessoas que nos auxiliam biblicamente, mas a análise de até onde vai essa fronteira de “admiração saudável” e “paixão” por tudo aquilo que nos desvia do foco genuíno. Às vezes pareço ser radical e fanática. E ainda não gostando do “radical”, o “fanática”, mesmo soando pejorativamente, é algo que não me envergonho, desde que seja pelo Deus Verdadeiro.

Valho nada

Devo confessar que temas sobre graça&lei&santificação estejam rondando ultimamente minha cabeça, e devo confessar também que idolatria sempre teve no meu rol de leituras, mesmo que despretenciosamente.

O fato é que consigo enxergar facilmente minha inclinação torpe, minha decadência, meu coração numa insistente autoanálise, que meus amigos já conhecem bem.  Ontem mesmo estava pensando a respeito, sondando minhas reações e chateações.

Mas ainda sobre idolatria, admito que é um dos meus maiores receios. Porque até as chateações, reações e até ações têm lá o âmago egocêntrico. De tudo o que fizermos, de todas as nossas afeições, é válido o questionamento. Digo que sou “entusiasta de significação”, justamente porque mergulho nos “porquês”. Nos enxerguemos, sejamos sinceros, somos feios interiormente, o que me deixa maravilhada com a graça.

Por hora, fico com o pensamento atido aqui. Vai que motivo a ti  se analisar também…
Depois volto com a continuação.

 

Casinha para viver

Tive inúmeros motivos para me mudar, e sinceramente, acompanhar de perto a rotina do meu pai era algo que queria presenciar. Fatos como o de hoje que comentei “pai, manera no açúcar, por favor!”¹, na hora do café, me fazem ver que foi uma decisão bem boa. Muitas conversas, percepções e comentários só seriam possíveis graças ao convívio.

Costumo dizer que é semi sozinha pela responsabilidade de gerir. Agora não mais um quarto e um banheiro, cujos materiais de limpeza estariam ao alcance da mão, mas, uma casinha inteira e materiais de limpeza caros que agora precisariam, pasmem, de uma renda bem legal para adquiri-los.

Tem pouco mais de um ano que me mudei e os aprendizados foram muitos.

Primeiro porque as casinhas dos blogs e Pintrest são caras. Tanto para montá-las, quanto mantê-las! Esses dias conversando com meus primos só focava na rotatividade monetária que nos deixa com o saldo levemente balançado todo mês para: manter os tais bens. Eu digo que a partir do momento que ele se torna seu, você já está perdendo dinheiro. Se é terreno, há cuidado, se é imóvel, mais ainda, se é carro, nem se fala! Então, pessoas atidas ao dinheiro, não tenham bens, mesmo com a ideia de se valorizar posteriormente, estou falando de presente e no presente você está perdendo dinheiro. Não tenham bens, juntem dinheiro, e se esqueçam de viver, se possível.

E aqui chega o ponto que eu queria mencionar. Tem coisas que requerem, lógico, o meu saldo levemente balançado para viver; viver para mim é ter experiências, aprendizados, sensações. Tem muito do me sentir viva e, claro, partilhar! Não expondo unicamente, mas permitindo viverem tal qual. Às vezes vivo como agente, quando partilho, às vezes só abraço as oportunidades, quando sou contemplada. Dai, casinha, e o que quer que seja, não tem o fim dela mesma, mas da partilha, do “refletir a graça de Deus nos meus relacionamentos”.

O que é meu NÃO TEM SENTIDO ALGUM se for só meu. Me poupem de impérios e concretos sem vida, sem unidade, sem comunhão, sem amor. Ter casa para me isolar pensando estar livre é pura prisão. Então, meus amigos, prefiro perder dinheiro livremente aprendendo o que é amar, suspirando pelo lar, enxergando claramente o cuidar de Quem incondicionalmente me ampara, provê e me ensina a viver.

 

¹ Quem me conhece saber o quanto gosto de doce. Meu café virava mel, até eu rever muitos conceitos e entender o que é cautela. Dai o cuidado igual com painho. Pelo menos pra chamar atenção.