Consegui fazer um link de “Todo se transforma” do Jorge Drexler, dumas ideias da Nilce Moretto, Lavoisier e duns ventos por aqui pelo leste cearense – risos.

Foi interessante como fiz a análise de que tudo vai se transformando, e na letra do Jorge, ele mostra uma sequência da água, suor e lá vai, na ideia da Nilce, foi uma afirmação muito noiada das moléculas, do Lavoisier é aquela máxima que a gente aprende no ensino regular.

O mais louco é que em todo esse processo de transformação, vemos claramente um mundo cíclico, e particularmente, não atribuo a nada, senão o efeito boomerang graciosamente dado pelo Senhor. É uma respiração profunda e sensação que, embora não mereça, às vezes acontece umas coisas cuja justiça é evidente.

Vivo dizendo que “nossa ideia de justiça se difere demais da divina”, mas quando ela parece se efetivar aos nosso olhos, é inevitável a vontade de se ajoelhar e orar com os olhos marejados e o sorriso rasgado.

Os ventos por aqui trouxeram chuva e ideia de limpeza. E não sei vocês, mas depois que chove, fica mais evidente a nitidez das coisas, a vivacidade do que me cerca, o verde que passava batido até outro dia.

A chuva que é cíclica, tudo se transformando, o verde presenteado, o meio falando. A música do Jorge, a ideia das moléculas da Nilce, a fidelidade e o amor imerecido em forma de água do alto… Os ventos que vieram. Tudo transformado.

A paz proveniente dessa percepção.
A dádiva.
A vida.

Cartão fidelidade próprio

Já tenho um cartão fidelidade com o sofrimento.

Brincadeiras à parte, só queria dizer o quanto considero importante a presença das fases ruins na minha vida. Via de regra, eu pressinto quando algo iminente vem me machucar. Talvez a ansiedade me faça alertar o modo “atenção”, e eu considere tanto antes de acontecer, que quando acontece, já venho munida.

Mas a munição não é algo que me faça encarar tudo com uma leveza maior. Eu exponho em oração, e sei que muitas vezes é preciso me desmontar totalmente.

Do processo de desconstrução, me vejo muito pequena e a pequenez me lembra da minha vulnerabilidade, fragilidade e dependência.

Por isso gosto tanto quando pressinto sofrimento. Seja por coisas majoritariamente consideráveis, seja por coisas pequenas, que pra mim nunca são. O sentimento é peculiar. O sofrimento me lembra quem sou, quando penso ter asas ou know-how apurado no auge dos meus vinte e quatro anos. Quando penso que posso dar passos grandes e quero pular pormenores. Quando intimamente me vejo altiva diante dos obstáculos. Quando penso que posso algo pelas minhas próprias forças.

O sofrimento no meu cartão fidelidade me poda com uma certa constância. Por isso diante dos perigos à porta, agradeço. Tudo me lembra que nada sou sem meu Jardineiro – e como costumo dizer: Ele é o Alvo.

Rascunhos sobre coisas importantes

Carreguei uma ideia comigo que consistia em fitar em coisas realmente importantes.

E diante da noção de eternidade e do Eterno, todas as demais coisas terrenas ficaram questionáveis e desvalorizadas. Não ao ponto de me desiludir tudo, mas unicamente considerar o valor devido. E tudo fica desvalorizado diante do Eterno.

Comecei com a ideia de “por que as pessoas fazem como fazem?”, e muitas respostas eram parecidas, pois tratavam-se de protocolos em grande parte das vezes. E todos os fatos se resumiam em uma palavra pequena, mas que perambula rumo a passos desastrosos: eu.

Nossos planos majoritariamente têm o propósito genuíno de nos fazer sentir admirado, afagado, inflado.

E são construídos porque nos exigem isso. Seja, faça, tenha. Aí você vai caminhando, cheio de trade-off, cheio de ambições condicionadas e passos delineados por outrem – e outrem aqui pode ser a sociedade mesmo. Pela falsa ideia de liberdade, mas presa por um anseio que parece com o de ser amado ou somente aceitado mesmo.

Até meus 20 anos eu tinha essa ideia parecida. Tinha que fazer planos conforme a média das pessoas da minha idade e isso me sufocou um pouco, pois não tinha chegado no parâmetro do eterno:

No que isso implicará, tratando-se da eternidade?” É frase que embala minhas situações de escolha.

Interessante aqui que conceitos do tipo “minimalismo” e afins, passaram a aflorar mais rapidamente. Porque enquanto que a lógica ocidental superestima a abundância, a minha lógica só surte esse efeito se a abundância respingar no meu semelhante. Caso contrário, eu só preciso do necessário.

Deixei de me justificar tanto, de carregar tanto o que não me competia. Conceitos seus sobre mim, continuam sendo seus, e isso meio que empobreceu até os conceitos mais bonitos.

Ao fitar nas coisas realmente importantes e eternas, meu coração se curvou de tal modo que nem de longe considero conquistar algo, tampouco merecer. O conceito de graça clareou tudo e me tapou a boca, senão para bendizer quem tudo me dá. Tudo!

Olha! Quantas conexões foram feitas enquanto digitava? Como esse silencioso milagre de codificação e decodificação, parece simples, mas consiste em uma profundidade tremenda! Enfim, consigo tranquilamente enxergar o Autor da minha fé de modo objetivo.

E por fim, com esse tanto de questionamento, com a alegria em saber que o amor horizontal trata-se de algo consequente e não essencial; com os olhos fitos nas coisas que importam, fardos não foram abandonados, mas carregados em seu devido tempo. Os do passado lá ficaram, os do futuro, nem chegaram, e os de agora nem pesam diante do que já carregaram, se é que vocês me entendem.

E foi no amor essencial que meu coração se deleitou; pelo que já foi feito e tudo consequente, glorificou — Até a mísera percepção de como as coisas funcionam no parâmetro do Eterno.

De uma conversinha no 14 de abril

No último 14 de abril, dia que orgulhosamente apresento o dia internacional do café, me propus a fazer coisinhas diferentes do que corriqueiramente faço. Normalmente nesse dia acordava com um cheiro de mãinha e padrasto, dava uma choradinha básica porque sou dessas, e ia trabalhar, ganhar abracinhos, voltar para casa febril e responder mensagens. Vez ou outra tinha comemoração, mas era coisa rara, porque queria ficar introspectiva mesmo.  Agora não mais. A começar pelo badalado Facebook que desde o dia que refiz o poupei de informações diretas, o que incluiu a bendita data do nascimento da cafezeira aqui.

Não sei se já mencionei aqui, mas costumo gostar de coisas incomuns, e questionar as comuns, mesmo que não as exponha. “Por que todo mundo faz isso?”, é frase corriqueira na minha cuca, bem como “o que me motiva a fazer isso?”. Daí, Facebook foi o objeto de estudo a começar pela chance que me deu de mudar: “mostre para seus amigos que seu aniversário está chegando”, e eu nem liguei muito. Ao contrário do que possa parecer, o dia que registraram que nasci é um dia especialíssimo pra mim. Só pra não soar tão indiferente, achei por bem ressaltar isso. 

Já tinha exposto em oração e comentado com mãinha que um Acampamento seria muito bem vindo, e no 14 de abril de 2017 acordei sem cheirinho de mãe, porque estava acampando. Aliás, não é de agora que me desafio a desapegar do cordãzinho umbilical. O desafio novo seria tão somente não sinalizar. Deixar ir, até porque provavelmente eu não teria tempo de responder as pessoas com um feedback merecido.

Quando conversei com meus amigos sobre isso. Lá no acampamento mesmo, um deles perguntou: “Tu queria testar teus amigos?”. Respondi: “Nada… Queria me testar. Qual minha necessidade em receber parabéns de pessoas que são notificadas por uma rede social, e muita das vezes com a intenção de serem lembradas no ‘dia delas’? Qual a minha necessidade em me sentir bem quista por pessoas que sequer compõem meu cotidiano? Qual a minha necessidade, afinal? Se bato na tecla que sou amada por quem me ama com amor incondicional? Quero testar é a minha segurança mesmo. E mais! Qual o sentido de falar em glória a Deus a cada elogio e pensar que tem um dia que o sol gira em torno de mim?” Ok, essa última realmente me pareceu radical, mas foi o que pensei.

Apesar de não ser tão radical assim na realidade e de gostar de quaisquer agrados, o que ainda comentei com eles foi, “se receber afeto no nosso suposto dia é tão bom, por que não todo dia? As comemorações devem ser diárias, muito embora a rotina nos canse”. Sou da turma do externar o quanto gostamos de outrem aqui e agora. E as mensagens que surgiram foram muito voluntárias, respondidas calmamente, num intervalo de um acampamento que em oração verbalizaram assim: “faz-nos, Senhor, entender o quanto somos amados por Ti”. E eu completava pensando “e o quanto isso é o bastante”.

Foi mais um passinho de tantos desprendimentos.